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Por que o Brasil virou o alvo preferido do ransomware
Empresas brasileiras enfrentaram, em abril de 2026, uma média de 4.118 ataques cibernéticos por semana — crescimento de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média global no mesmo recorte foi de 2.201.
Fonte: Check Point, 2026
Ou seja: uma empresa brasileira leva praticamente o dobro de ataques que a média mundial. E no primeiro semestre de 2026 o país concentrou 36,3% de todo o ransomware da América Latina.
Não é azar. São quatro fatores.
1. Digitalização rápida, segurança lenta
O Brasil digitalizou serviço financeiro, varejo e saúde numa velocidade impressionante. Pix, e-commerce, telemedicina, marketplace B2B. Mas o investimento em segurança não acompanhou o mesmo ritmo — a superfície cresceu mais rápido que a defesa.
2. Muita empresa média sem time de segurança
O ataque automatizado não escolhe alvo por faturamento: ele varre a internet procurando porta aberta. A empresa de médio porte tem dado valioso e, quase sempre, ninguém de plantão para olhar alerta. É o melhor custo-benefício para o criminoso.
3. Cadeia de fornecedores frouxa
Num dos casos que investigamos, a empresa estava sólida: SOC próprio, EDR, Zero Trust interno, pentest recorrente. O ataque entrou por uma chave de integração de um parceiro — esquecida, sem expiração e sem limite de escopo.
O ransomware de dupla extorsão não parou só a empresa: parou todos os clientes que dependiam dela.
4. Backup que ninguém testou
Quase toda empresa faz backup. Quase nenhuma testa a restauração. É a diferença entre "a gente tem backup" e "a gente achava que tinha" — frase que só aparece no pior dia possível.
Quanto custa
O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025, alta de 6,5% sobre o ano anterior. Em saúde, o número sobe para R$ 11,43 milhões; no setor financeiro, R$ 8,92 milhões.
Fonte: IBM Cost of a Data Breach Report 2025
Para uma empresa média, um incidente de ransomware costuma ultrapassar R$ 1,4 milhão em perdas diretas e indiretas — sem contar contrato perdido e reputação.
O que comprovadamente reduz o custo
O mesmo relatório da IBM mede o efeito de cada iniciativa. Duas se destacam:
- Threat intelligence: reduz o custo médio em R$ 655.110.
- Governança de IA: reduz em R$ 629.850 — e é onde o Brasil está mais descoberto: 87% das organizações não têm política de governança de IA e 61% não têm controle de acesso a IA.
Por onde começar
Não adianta comprar mais ferramenta. Em todos os casos que investigamos havia ferramenta instalada — e o ataque passou por baixo, usando acesso que parecia legítimo.
- Descubra o que está exposto. Um teste de invasão autorizado mostra o caminho real, não o teórico.
- Feche por prejuízo, não por severidade. Corrija primeiro o que causa mais perda.
- Teste a restauração do backup. Hoje. Não no dia do incidente.
- Amarre os fornecedores. Chave de integração precisa de escopo, prazo e rotação.
- Coloque alguém para olhar. Alerta que ninguém lê é ruído caro.
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